Obrigações acessórias: o que são e quais sua empresa entrega
Gestão FiscalObrigações acessórias são tudo o que a empresa precisa informar, emitir ou escriturar para o Fisco, além de pagar o tributo. Em 2026, as principais são digitais, muitas são mensais e várias declarações conhecidas — DCTF, DIRF, GFIP, CAGED — foram extintas ou substituídas. Este guia mostra o conceito, as principais obrigações federais, os prazos, o que foi extinto e as multas.
O que são obrigações acessórias
Obrigação acessória é o dever de fazer — ou de deixar de fazer — algo no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. É a definição do art. 113, § 2º, do Código Tributário Nacional: emitir nota fiscal, escriturar livros e arquivos digitais e entregar declarações são exemplos.
Ela existe independentemente do pagamento: se não for cumprida, converte-se em obrigação principal quanto à multa (art. 113, § 3º).
| Obrigação principal | Obrigação acessória | |
|---|---|---|
| O que é | Pagar o tributo ou a penalidade | Prestar informações, emitir documentos, escriturar |
| Exemplos | DARF, DAS, guia do ICMS | NF-e, eSocial, DCTFWeb, SPED |
| Base no CTN | Art. 113, § 1º | Art. 113, §§ 2º e 3º |
Mesmo quem não tem tributo a pagar pode ter obrigação acessória a cumprir — empresas imunes e isentas, por exemplo, também entregam a DCTFWeb (IN RFB nº 2.237/2024, art. 3º).
As principais obrigações acessórias federais em 2026
Mensais
| Obrigação | O que informa | Quem entrega | Prazo |
|---|---|---|---|
| eSocial | Admissões, folha, afastamentos, desligamentos e saúde e segurança | Todo empregador, inclusive o MEI com empregado | Folha até o dia 15 do mês seguinte; demais eventos, conforme o fato |
| EFD-Reinf | Retenções sobre serviços e rendimentos pagos (séries R-2000 e R-4000) e contribuições sobre a receita | Quem retém tributos ou recolhe CPRB, entre outros casos; sem fatos no mês, não entrega | Dia 15 do mês seguinte |
| DCTFWeb | Débitos federais apurados no eSocial, na EFD-Reinf e no MIT | Pessoas jurídicas em geral, inclusive imunes e isentas | Último dia útil do mês seguinte |
| EFD-Contribuições | PIS/Pasep e Cofins | Pessoas jurídicas do lucro real e do lucro presumido; o Simples Nacional é dispensado | 10º dia útil do 2º mês seguinte |
| EFD ICMS/IPI | Escrituração do ICMS e do IPI | Contribuintes do ICMS ou do IPI; optantes do Simples Nacional, em regra, são dispensados | Fixado por cada estado (a regra-base do Ajuste SINIEF nº 2/2009 é o dia 5 do mês seguinte, e a UF pode alterá-la) |
| PGDAS-D | Apuração mensal do Simples Nacional, que gera o DAS | Optantes do Simples Nacional | Até o dia 20 do mês seguinte, o mesmo vencimento do DAS |
Anuais
| Obrigação | O que informa | Quem entrega | Prazo |
|---|---|---|---|
| ECD | Escrituração contábil (livros Diário e Razão) | Quem é obrigado a manter contabilidade, inclusive imunes e isentas. Dispensados: Simples Nacional e lucro presumido com livro Caixa, salvo exceções da norma | Último dia útil de junho do ano seguinte |
| ECF | Apuração do IRPJ e da CSLL | Pessoas jurídicas em geral, inclusive do lucro presumido; dispensados Simples Nacional, órgãos públicos e inativas | Último dia útil de julho do ano seguinte |
| DEFIS | Informações socioeconômicas e fiscais do Simples Nacional | Optantes do Simples Nacional | 31 de março do ano seguinte. A Resolução CGSN nº 190/2026 revoga a DEFIS a partir de 1º/01/2027: as informações passam ao próprio PGDAS-D, entre janeiro e março |
| DASN-SIMEI | Faturamento anual do MEI | Microempreendedor individual | Último dia de maio de cada ano |
O eSocial concentra a vida do contrato de trabalho — o guia sobre o que é o eSocial, quem é obrigado e os prazos dos eventos detalha cada um. A DCTFWeb fecha o mês federal, e o descompasso entre a entrega e o vencimento dos tributos está no guia do prazo da DCTFWeb. Para as duas escriturações do SPED que mais confundem, veja as diferenças entre SPED Fiscal e SPED Contribuições.
O que foi extinto ou substituído — e o que ficou no lugar
Muitas listas de obrigações acessórias que circulam ainda citam declarações extintas. Na maioria dos casos, a informação não sumiu: mudou de caminho.
| Antes | Agora | Desde |
|---|---|---|
| DCTF | DCTFWeb, com o MIT (Módulo de Inclusão de Tributos) | Fatos geradores de janeiro/2025 (IN RFB nº 2.237/2024) |
| DIRF | eSocial, EFD-Reinf (série R-4000) e DCTFWeb — veja o fim da DIRF na prática | Fatos de 2025 (IN RFB nº 2.181/2024) |
| GFIP/SEFIP | eSocial e DCTFWeb, para as contribuições previdenciárias; FGTS Digital, para o FGTS | FGTS Digital a partir da competência março/2024 |
| GPS das empresas | DARF numerado, emitido pela DCTFWeb (a GPS segue para contribuinte individual e facultativo) | Com a implantação da DCTFWeb |
| CAGED | eSocial | Janeiro/2020, para os primeiros grupos de obrigados |
| RAIS | eSocial | Ano-base 2019, de forma escalonada por grupo |
| Siscoserv | Obrigação extinta, sem substituta | Prazos suspensos em julho/2020; sistema revogado em outubro/2020 (Portaria Conjunta Secint/RFB nº 22.091/2020) |
Obrigações estaduais e municipais
No ICMS, a principal obrigação é a EFD ICMS/IPI, com prazo definido por cada estado. As demais declarações estaduais variam de UF para UF — e algumas estão saindo de cena: em São Paulo, a GIA foi dispensada para todos os contribuintes do regime periódico de apuração desde 1º/01/2026 (Portaria SRE nº 2/2025), mantida a entrega e a substituição das referentes a períodos anteriores.
Para optantes do Simples Nacional, a DeSTDA (declaração de substituição tributária, diferencial de alíquotas e antecipação) vence no dia 28 do mês seguinte (Ajuste SINIEF nº 12/2015) e não se aplica ao MEI. Quem entrega a escrituração fiscal digital nas condições do art. 26, § 4º-A, da LC nº 123/2006 fica dispensado dela, pelo § 12-A, incluído pela LC nº 214/2025.
No ISS, cada município define suas declarações. Na emissão, há mudança com data marcada: a partir de 1º/11/2026, microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional passam a usar obrigatoriamente a NFS-e de padrão nacional, pelo Emissor Nacional (Resolução CGSN nº 191/2026). O contexto da mudança está no post sobre a NFS-e Nacional.
Multas por atraso ou erro nas obrigações acessórias
Para declarações e escriturações exigidas pela Receita Federal com base no art. 16 da Lei nº 9.779/1999, a regra geral está no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001:
- Entrega fora do prazo: R$ 500,00 por mês-calendário ou fração para empresas em início de atividade, imunes, isentas ou que apuraram lucro presumido ou Simples Nacional na última declaração; R$ 1.500,00 para as demais; R$ 100,00 para pessoas físicas. Cai pela metade se a obrigação for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício;
- Não atender à intimação da Receita: R$ 500,00 por mês-calendário;
- Informação inexata, incompleta ou omitida: 3% do valor das transações (mínimo de R$ 100,00) para pessoa jurídica e 1,5% (mínimo de R$ 50,00) para pessoa física. No Simples Nacional, essas duas últimas multas são reduzidas em 70%.
Algumas obrigações têm multa própria. A DCTFWeb, por exemplo, segue o art. 11 da IN RFB nº 2.237/2024: 2% ao mês-calendário ou fração sobre os tributos informados, ainda que pagos, limitada a 20%, com mínimo de R$ 200,00 (sem movimento) ou R$ 500,00. Obrigações estaduais e municipais têm multas definidas pela legislação de cada estado e município.
Como não perder prazos: checklist do mês
- Monte um calendário único com as obrigações da sua empresa — federais, estaduais e municipais —, com responsável e data interna anterior ao prazo legal;
- Feche a folha antes do dia 15: é dos eventos do eSocial que saem a DCTFWeb da folha e o FGTS Digital;
- Confira as retenções de notas de serviço e pagamentos a terceiros antes de fechar a EFD-Reinf;
- Separe prazo de entrega e vencimento: a DCTFWeb vai até o último dia útil, mas o DARF da folha vence no dia 20;
- Transmita com folga e guarde os recibos de entrega de cada obrigação;
- Revise a lista uma vez por ano: obrigações são criadas, substituídas e extintas — a DIRF e a DCTF são os exemplos mais recentes, e a DEFIS sai de cena em 2027.
Como o ERP da EGS Sistemas ajuda
No ERP da EGS Sistemas, as obrigações nascem dos mesmos lançamentos do dia a dia — notas emitidas, compras escrituradas, folha calculada:
- SPED: geração dos arquivos da EFD ICMS/IPI e da EFD-Contribuições;
- Folha e retenções: transmissão do eSocial e da EFD-Reinf de dentro do sistema;
- DCTFWeb: busca da declaração, transmissão com o certificado digital da empresa e guarda do DARF e do recibo, pela integração oficial com o Serpro;
- Simples Nacional: apuração, entrega da declaração do PGDAS-D e geração do DAS, também pela integração com o Serpro.
Perguntas frequentes sobre obrigações acessórias
O que é obrigação acessória?
É o dever de fazer ou deixar de fazer algo no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme o art. 113, § 2º, do Código Tributário Nacional. Emitir nota fiscal, manter a escrituração digital e entregar declarações como eSocial, EFD-Reinf e DCTFWeb são exemplos. Quem descumpre fica sujeito a multa, que passa a ser cobrada como obrigação principal.
Qual é a diferença entre obrigação principal e acessória?
A principal é pagar: tem por objeto o tributo ou a penalidade em dinheiro e se extingue com o pagamento (CTN, art. 113, § 1º). A acessória é informar, emitir ou escriturar, e existe mesmo quando não há tributo a pagar. Uma empresa imune, por exemplo, não recolhe determinado tributo, mas continua obrigada a entregar suas declarações.
MEI tem obrigação acessória?
Tem, em formato reduzido. O MEI entrega a DASN-SIMEI até o último dia de maio de cada ano, com as informações do ano anterior (Resolução CGSN nº 140/2018, art. 109). Se contratar empregado, passa a ter também o eSocial, em módulo simplificado, e a DCTFWeb (IN RFB nº 2.237/2024, art. 3º, IX). A DeSTDA, exigida das demais optantes do Simples Nacional, não se aplica ao MEI.
A DCTF e a DIRF ainda existem?
Não para fatos recentes. A DCTF foi substituída pela DCTFWeb com o MIT para fatos geradores a partir de janeiro de 2025 (IN RFB nº 2.237/2024), e a DIRF foi substituída por eSocial, EFD-Reinf e DCTFWeb para fatos ocorridos a partir de 2025 (IN RFB nº 2.181/2024). Períodos anteriores seguem as regras e os sistemas da época, inclusive para retificação.
Qual é a multa por atrasar uma declaração à Receita Federal?
Pela regra geral do art. 57 da MP nº 2.158-35/2001, R$ 500,00 por mês-calendário ou fração para empresas do lucro presumido, do Simples Nacional, imunes, isentas ou em início de atividade, e R$ 1.500,00 para as demais, com redução à metade se a entrega ocorrer antes de procedimento de ofício. Declarações com regra própria, como a DCTFWeb, seguem a multa específica.
Fontes oficiais
- Código Tributário Nacional, art. 113 (Planalto)
- Medida Provisória nº 2.158-35/2001, art. 57 (Planalto)
- Receita Federal — Agenda Tributária de outubro de 2026
Também citados: INs RFB nº 2.237/2024 (DCTFWeb), nº 2.043/2021 (EFD-Reinf), nº 1.252/2012 (EFD-Contribuições), nº 2.003/2021 (ECD), nº 2.004/2021 (ECF) e nº 2.181/2024 (fim da DIRF); Resoluções CGSN nº 140/2018, nº 190/2026 e nº 191/2026; Ajustes SINIEF nº 2/2009 e nº 12/2015; LC nº 123/2006 (art. 26, § 12-A); Portaria SRE nº 2/2025 (SP); Portarias Conjuntas Secint/RFB nº 25/2020 e nº 22.091/2020; Manual de Orientação do eSocial S-1.3. Normas conferidas em 02/10/2026.
Obrigação acessória não é burocracia avulsa: é a forma como o Fisco enxerga a empresa todo mês. Com a lista certa, prazos internos antes dos legais e um sistema que gera cada arquivo a partir da operação, o calendário deixa de ser uma corrida.
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