Nota de Devolução: o que muda na NF-e a partir de 03/08 e 01/09/2026
Gestão FiscalA partir de 03/08/2026, o preenchimento de IBS/CBS passa a ser obrigatório em produção para as empresas do Regime Normal (CRT=3), sob pena de rejeição. Já a nota de devolução tem um prazo próprio: só a partir de 01/09/2026 ela deixa de referenciar a nota original apenas pela chave de acesso no cabeçalho e passa a exigir o referenciamento item a item, pelo grupo DFeReferenciado (regra de validação VC02-14). Quem confundir as duas datas corre o risco de ter as devoluções rejeitadas em setembro.
- O que você vai ver neste post:
- Por que a nota de devolução muda e quem é afetado
- A diferença entre o corte de 03/08 e o corte de 01/09
- O novo referenciamento por item (grupo DFeReferenciado / regra VC02-14)
- O que mudou com o Ajuste SINIEF nº 8/2026
- Checklist para não ser pego de surpresa
- Perguntas frequentes
Por que a nota de devolução está mudando
A devolução de mercadoria é a NF-e emitida com finalidade 4, usada para registrar o retorno de um produto ao fornecedor — seja por defeito, divergência de pedido, recusa no recebimento ou acordo comercial. Ela dá respaldo fiscal ao transporte da mercadoria que volta, corrige o estoque de quem devolve e de quem recebe, e permite o acerto dos tributos da operação original.
Essas mudanças fazem parte do cronograma da Reforma Tributária do Consumo. A Nota Técnica 2025.002-RTC, na versão 1.40 (publicada em 20/05/2026), adequa o leiaute da NF-e/NFC-e aos novos tributos (IBS, CBS e Imposto Seletivo) e, entre outras alterações, redefine como a devolução deve referenciar a nota de origem.
Importante: a devolução não ganhou uma tributação própria dentro da reforma. Na prática, ela precisa reproduzir os mesmos códigos e alíquotas da nota original — quem identifica a operação continua sendo o CFOP.
Dois prazos, não um: 03/08 e 01/09/2026
Esse é o ponto que mais gera confusão — e o que mais importa destacar.
03/08/2026 é o corte geral da versão 1.40: a partir dessa data, contribuintes do Regime Normal (CRT=3) precisam ter os campos de IBS/CBS corretamente preenchidos em produção, além de outras regras de validação novas ou alteradas e um novo tipo de Nota de Crédito (código 06, para recusa parcial na entrega).
01/09/2026 é a data específica da regra que muda o referenciamento da devolução. Embora esteja dentro da mesma versão 1.40, ela tem cronograma próprio:
Ambiente
| Ambiente | Regra geral IBS/CBS (v.1.40) | Devolução por item (VC02-14) |
| Homologação | até 01/07/2026 | 01/07/2026 |
| Produção | 03/08/2026 | 01/09/2026 |
Ou seja: um sistema pode passar tranquilo pelo corte de agosto e, ainda assim, começar a rejeitar devoluções em setembro se continuar usando o modelo antigo de referenciamento.
O que muda no referenciamento da devolução
Como funciona hoje: basta informar a chave de acesso da NF-e original em um campo geral do cabeçalho — pelos grupos tradicionais refNFe, refNF, refECF, refCTe ou refNFP. O vínculo é feito com a nota inteira, não com cada item.
Como passa a funcionar a partir de 01/09/2026: o referenciamento passa a ser feito exclusivamente pelo grupo DFeReferenciado. Cada item devolvido precisa informar a chave de acesso do documento original e o número do item correspondente (nItem) naquele documento. A devolução passa a ficar vinculada à linha exata da nota de origem — não mais ao documento como um todo.
A regra de validação VC02-14 passa a rejeitar a nota que insistir em referenciar apenas pelo cabeçalho, nos grupos antigos. Outras regras de rastreabilidade completam o pacote:
- VC02-40 — o emitente das notas referenciadas precisa ser o mesmo em todos os itens
- VC02-50 — o destinatário da devolução precisa ser igual ao emitente da nota referenciada
- VC03-20 — o número do item (nItem) precisa estar preenchido
Sem esse referenciamento por item, a devolução pode sofrer a rejeição 321 — "NF-e de devolução de mercadoria não possui documento fiscal referenciado por item".
O Ajuste SINIEF nº 8/2026
Em paralelo às mudanças de leiaute, o CONFAZ também reorganizou as regras operacionais da devolução por recusa ou não localização do destinatário, através do Ajuste SINIEF nº 8/2026 (em vigor desde 04/05/2026):
- Acabou a distinção entre destinatário contribuinte e não contribuinte para fins de devolução.
- Toda anulação — recusa total, parcial ou não localização — passa a ser feita pelo remetente original, por meio de uma NF-e de entrada. Não existe mais a "Nota de Débito" emitida pelo destinatário.
- Os códigos de tpNFCredito foram reorganizados: o código 03 ficou específico para retorno por recusa total ou não localização do destinatário; o código 06 (novo) cobre a recusa parcial na entrega.
Na prática, os dois normativos — a NT 2025.002 v.1.40 e o Ajuste SINIEF nº 8/2026 — apontam na mesma direção: mais detalhe e mais rastreabilidade na devolução.
Checklist para não ser pego de surpresa
- Confirme com o fornecedor do seu sistema emissor se ele já está adaptado à NT 2025.002 v.1.40 e se referencia a devolução pelo grupo DFeReferenciado.
- Garanta que cada item devolvido leve a chave de acesso da nota original e o número do item correspondente.
- Teste devoluções em homologação a partir de julho, antes da obrigatoriedade em produção.
- Revise seus processos de devolução por recusa ou não localização à luz do Ajuste SINIEF nº 8/2026 — hoje quem emite a nota de entrada é o remetente original.
- Acompanhe de perto as primeiras devoluções emitidas depois de 01/09/2026, para identificar qualquer erro logo no início.
- Para clientes do Simples Nacional e MEI: a devolução continua sem destaque de IBS/CBS em 2026, mas já precisa do referenciamento por item.
Perguntas frequentes
O que é uma nota de devolução?
É a NF-e emitida com finalidade 4, usada para registrar o retorno de uma mercadoria ao fornecedor. Ela dá respaldo fiscal ao transporte, corrige o estoque e permite o acerto dos tributos da operação original.
O que muda na nota de devolução em 2026?
A partir de 01/09/2026, a devolução deixa de referenciar a nota original apenas pela chave no cabeçalho e passa a exigir o referenciamento item a item, pelo grupo DFeReferenciado — regra de validação VC02-14, da NT 2025.002-RTC v.1.40.
A devolução no modelo antigo será rejeitada?
Sim. A partir de 01/09/2026 em produção, a NF-e de devolução que continuar apontando a origem só pelos grupos antigos (refNFe e similares) tende a ser rejeitada pela SEFAZ.
A obrigatoriedade de 03/08/2026 já afeta a devolução?
Afeta o preenchimento de IBS/CBS, que passa a ser obrigatório em produção para o Regime Normal (CRT=3). O referenciamento por item, específico da devolução, só passa a ser exigido em 01/09/2026.
Empresas do Simples Nacional também precisam se adaptar?
Sim, mas de forma diferente: em 2026, a devolução do Simples Nacional continua sem destaque de IBS/CBS, mas o referenciamento no grupo DFeReferenciado, item a item, já é obrigatório desde já.
Em resumo
- A nota de devolução (NF-e finalidade 4) registra o retorno de mercadoria e precisa referenciar a nota original.
- A partir de 01/09/2026, esse referenciamento passa a ser feito item a item, pelo grupo DFeReferenciado (regra VC02-14) — data diferente do corte geral de 03/08/2026.
- A mudança vem da NT 2025.002-RTC v.1.40, dentro do cronograma da Reforma Tributária.
- O Ajuste SINIEF nº 8/2026 também reorganizou os procedimentos de devolução por recusa ou não localização do destinatário.
- Emitir no modelo antigo, apenas com a chave no cabeçalho, passa a gerar rejeição da SEFAZ a partir de setembro
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