Por que falta caminhoneiro no Brasil
Gestão de Transporte e Logística (TMS)A falta de caminhoneiro no Brasil não é só falta de carteira de habilitação: é falta de renovação. Os habilitados para dirigir caminhão e carreta somam entre 4,3 e 4,6 milhões desde 2020, mas um terço já passou dos 60 anos e só 4% têm até 30. Veja os dados oficiais da escassez de motoristas, as causas e como reter quem já está na estrada.
Falta caminhoneiro no Brasil? A resposta curta
Sim. Em pesquisa do setor de transporte divulgada em março de 2026, 88% das transportadoras relataram dificuldade para contratar motoristas e agregados. A causa de fundo é demográfica: os habilitados nas categorias C e E estão envelhecendo, e poucos jovens entram na profissão.
4,43 milhões
de habilitados nas categorias C e E em julho de 2026 (Senatran)
34,5%
desses habilitados têm mais de 60 anos; eram 23% em março de 2020 (Senatran)
4,1%
têm de 18 a 30 anos (Senatran, julho de 2026)
88%
das transportadoras relatam dificuldade para contratar motoristas e agregados (pesquisa do setor, 2026)
A escassez de motoristas no Brasil é, antes de tudo, um problema de renovação.
O que os dados da Senatran mostram sobre a escassez de motoristas
A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) publica todo mês a quantidade de condutores habilitados por categoria e faixa etária. Somando as categorias C (caminhão) e E (carreta e outras combinações de veículos), inclusive quem também tem a categoria A (AC e AE), o Brasil tinha 4.431.935 habilitados em julho de 2026.
Levantamentos do setor de transporte com base nesses dados apontam queda de 21% desde 2015, quando eram cerca de 5,6 milhões. Nos arquivos oficiais disponíveis a partir de 2020, porém, o total ficou praticamente estável: 4,55 milhões em março de 2020 e 4,43 milhões em julho de 2026, recuo de 2,5%. O que mudou de forma acentuada foi a idade.
Habilitados nas categorias C e E por faixa etária (% do total)
De 18 a 30 anos
De 31 a 50 anos
De 51 a 60 anos
Mais de 60 anos
Barras cinza: março de 2020. Barras verdes: julho de 2026. Fonte: Senatran, Registro Nacional de Condutores Habilitados; cálculo da EGS Sistemas com as categorias C, AC, E e AE.
Como ler esses números. Habilitado não é sinônimo de motorista em atividade: a CNH mostra quem pode dirigir. A conta também deixa de fora a categoria D, de ônibus, que pela lei permite dirigir caminhão, mas não carreta (Código de Trânsito Brasileiro, art. 143, IV). Em julho de 2026, eram 7,36 milhões de habilitados na categoria D.
Habilitado não é motorista na estrada
Para medir quem de fato trabalha no transporte de cargas, os registros da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) são mais precisos. O RNTRC é o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas, mantido pela ANTT.
- 713.229 motoristas de caminhão com carteira assinada em 2024, segundo a RAIS, 1,7% a mais que em 2023;
- 769.253 transportadores autônomos de cargas (TAC) e 280.036 empresas de transporte registrados no RNTRC em dezembro de 2025.
Entre os empregados com carteira, o quadro é mais jovem: 14% têm mais de 55 anos, a menor proporção entre os países comparados pela ANTT. Para a agência, isso significa menos pressão de aposentadorias no curto prazo. O gargalo está em outro ponto: na entrada de gente nova e na permanência de quem já dirige.
Habilitado não é motorista na estrada: a escassez aparece na hora de contratar e na hora de manter.
Por que falta motorista de caminhão: as causas que os dados explicam
A escassez tem várias causas ao mesmo tempo. As que podem ser medidas com dados oficiais e com a lei são estas:
| Causa | O que os dados mostram | Fonte |
|---|---|---|
| Entrada lenta na profissão | Para dirigir caminhão (categoria C), é preciso estar habilitado há um ano na categoria B. Para carreta (categoria E), ser maior de 21 anos, ter um ano na categoria C e passar em curso especializado. | Código de Trânsito Brasileiro (CTB), arts. 143, § 1º, e 145 |
| Exigências para manter a CNH | Condutores das categorias C, D e E precisam de resultado negativo em exame toxicológico para obter e renovar a CNH e, abaixo de 70 anos, repetem o exame a cada 2 anos e 6 meses. | CTB, art. 148-A |
| Pouca renovação | Só 4,1% dos habilitados nas categorias C e E têm de 18 a 30 anos; 60,8% têm mais de 50. | Senatran, julho de 2026 |
| Remuneração desigual entre empresas | A remuneração mediana do motorista de caminhão com carteira foi de R$ 3.120 em 2024. Nas empresas com 1.000 ou mais veículos, a mediana foi de R$ 4.246; nas com até 50, de R$ 2.969. | ANTT, com dados da RAIS 2024 |
| Rotatividade alta | Em 2025, as empresas admitiram 534.972 motoristas de caminhão, número equivalente a três quartos dos 713 mil vínculos com carteira registrados em 2024. | ANTT, Anuário TRC 2025 e RAIS 2024 |
A diferença por porte pesa para a pequena transportadora: ela disputa o mesmo motorista com empresas que pagam, na mediana, 43% a mais. Quando não dá para competir só pelo salário, a retenção passa pela rotina de trabalho.
O impacto da falta de caminhoneiro na transportadora
Pesquisas do setor de transporte divulgadas em março de 2026 mostram como a escassez chega à operação:
- 88% das empresas relatam dificuldade para contratar motoristas e agregados;
- entre as transportadoras com veículos parados, a média é de oito caminhões por empresa;
- a falta de profissionais é a segunda maior limitação ao crescimento, citada por 28,1% dos entrevistados;
- o custo com mão de obra subiu 13,42% em 24 meses;
- 92,6% das empresas planejam investir em treinamento e capacitação.
Caminhão parado por falta de motorista continua gerando custo fixo, como financiamento, seguro e depreciação, sem gerar frete. Por isso a escassez de motoristas virou assunto de gestão, e não só de recrutamento.
Como reter motoristas na transportadora: 5 frentes de gestão
1 Valorize o tempo de casa
Na RAIS de 2024, motoristas com 10 anos ou mais de empresa ganhavam cerca de 18% a mais que os recém-contratados (ANTT). Deixe claro como o motorista progride: adicionais, reajustes por tempo de casa e treinamento.
2 Planeje viagens dentro da lei
O CTB proíbe dirigir mais de 5 horas e meia seguidas no transporte de carga e prevê 30 minutos de descanso a cada 6 horas de condução (art. 67-C). Rota que só fecha com o motorista no limite desgasta e aumenta o risco.
3 Mantenha o caminhão em dia
Checklist antes da saída e manutenção no prazo evitam quebra na estrada, que atrasa a entrega e deixa o motorista parado longe da base. Essa disciplina começa na gestão de frota.
4 Tire a burocracia do caminho
Documento faltando segura a viagem: nas operações que exigem CIOT, por exemplo, sem ele a viagem não começa. Documentos emitidos antes da saída e comprovante de entrega por foto poupam o motorista de esperas e de idas ao escritório.
5 Amplie o recrutamento
Mulheres são 2,45% dos habilitados nas categorias C e E (Senatran, julho de 2026) e foram 1,57% dos caminhoneiros admitidos entre janeiro de 2023 e junho de 2024 (ANTT). Formar jovens e mulheres amplia a base de candidatos.
O que mudou em 2025 e 2026
CNH B para veículo elétrico de até 4.250 kg. A Lei nº 15.503, de 14/09/2026, autorizou o condutor da categoria B a dirigir veículo elétrico ou híbrido com tração predominantemente elétrica de até 4.250 kg de peso bruto total, observados eventuais critérios adicionais do Contran (CTB, art. 143, § 2º-A). Para frotas com veículos elétricos leves, a mudança amplia o grupo de motoristas aptos.
Habilitação custeada para baixa renda. Desde a Lei nº 15.153/2025, a receita de multas de trânsito pode custear a habilitação de candidatos de baixa renda inscritos no CadÚnico (CTB, art. 320, §§ 4º e 5º).
Menos atrito na rotina do motorista: o que o TMS da EGS Sistemas faz
Parte da retenção depende de tirar atrito do dia a dia: papel, espera, retrabalho e troca de aplicativo. No TMS da EGS Sistemas, a operação de campo fica no app EGS CT-e, disponível para iOS e Android.
Atrito: vários aplicativos e papel na viagem
Ordem de coleta, registro de paradas, abastecimento, checklist, comprovante de entrega por foto e medição de pneus ficam no mesmo app.
Atrito: espera por documento
O app emite CT-e, MDF-e a partir de vários CT-es (desde setembro de 2026) e CIOT, com leitor de código de barras para preencher a chave dos documentos do contrato de transporte.
Atrito: caminhão que sai sem inspeção
Quando a empresa define um checklist obrigatório, o app exige o preenchimento antes de iniciar a ordem de coleta. Há também checklist recorrente, no intervalo de dias definido pela empresa, com registro de fotos.
Atrito: defeito apontado que ninguém resolve
Item reprovado no checklist gera ordem de serviço de manutenção do veículo no TMS, ou entra na ordem de serviço já aberta para o mesmo veículo.
Assim, a manutenção nasce na inspeção do motorista e chega ao planejamento da frota sem redigitação. Como frete, frota e fiscal se conectam no mesmo sistema está no guia sobre TMS integrado.
Perguntas frequentes sobre a falta de caminhoneiro
Quantos caminhoneiros existem no Brasil?
Depende do critério. Em julho de 2026, a Senatran registrava 4,43 milhões de habilitados nas categorias C e E. Em atividade, a RAIS de 2024 apontou 713.229 motoristas de caminhão com carteira assinada, e o RNTRC tinha 769.253 transportadores autônomos de cargas em dezembro de 2025, segundo a ANTT. Os três números medem coisas diferentes e não devem ser somados.
Qual a idade mínima para dirigir carreta?
21 anos. O Código de Trânsito exige que o candidato à categoria E seja maior de 21 anos, esteja habilitado há pelo menos um ano na categoria C e seja aprovado em curso especializado (art. 145). Como a categoria C pede um ano de categoria B (art. 143, § 1º), quem tira a primeira habilitação aos 18 anos só chega à carreta aos 21.
Quem tem CNH D pode dirigir caminhão?
Pode. Pelo Código de Trânsito, a categoria D abrange os veículos das categorias B e C, além dos veículos de transporte de passageiros com mais de oito lugares, excluído o do motorista (art. 143, IV). Para dirigir carreta e outras combinações cuja unidade acoplada tenha 6.000 kg ou mais de peso bruto total, porém, é preciso ter a categoria E (art. 143, V).
Quanto ganha um motorista de caminhão com carteira assinada?
Segundo a ANTT, com dados da RAIS de 2024, a remuneração mediana foi de R$ 3.120 por mês, somando salário, adicionais e benefícios. Um quarto dos motoristas recebeu até R$ 2.562, e 10% receberam acima de R$ 5.136. O porte da empresa pesa: a mediana foi de R$ 4.246 nas empresas com 1.000 ou mais veículos e de R$ 2.969 nas que têm até 50.
O exame toxicológico é obrigatório para motorista de caminhão?
Sim. Condutores das categorias C, D e E precisam de resultado negativo para obter e renovar a CNH e, se tiverem menos de 70 anos, fazem novo exame a cada 2 anos e 6 meses (CTB, art. 148-A). O motorista profissional empregado também faz o exame toxicológico antes da admissão e no desligamento (CLT, art. 168, § 6º).
Como reter motoristas na transportadora?
Combine remuneração que cresce com o tempo de casa, viagens planejadas dentro dos limites de direção e descanso do Código de Trânsito, caminhão inspecionado antes da saída e menos burocracia na rotina. Também vale ampliar o recrutamento para jovens e mulheres, que ainda são minoria entre os habilitados nas categorias C e E, segundo a Senatran.
Fontes
- Senatran — Registro Nacional de Condutores Habilitados (gov.br)
- ANTT — Dados do TRC: perfil dos motoristas de caminhão e Anuário TRC 2025 (gov.br)
- Código de Trânsito Brasileiro — Lei nº 9.503/1997 (Planalto)
Também citados: Lei nº 15.503/2026 (art. 14); Lei nº 15.153/2025; CLT (art. 168, § 6º).
Pesquisas do setor de transporte citadas: pesquisa da NTC&Logística divulgada em março de 2026, conforme reportagens de Logweb (02/03/2026), Diário do Transporte (03/03/2026) e Tecnologística (04/03/2026); levantamento da consultoria ILOS com dados da Senatran, conforme Transporte Moderno (16/09/2026) e Exame (31/10/2025). Dados conferidos em 02/10/2026.
A falta de caminhoneiro não se resolve só com contratação. A transportadora que organiza a rotina, mantém o caminhão em dia e tira o papel do caminho do motorista compete melhor pelo profissional que já está na estrada.
Menos atrito para quem dirige, mais controle para quem gerencia
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